Você já trabalhou muito em si mesmo. E continua repetindo.
O que me interessa fica antes do comportamento. Antes da reação que você já mapeou, antes do loop de pensamento e emoção que você reconhece enquanto ele acontece e não consegue interromper.
Existe uma camada que filtra o que chega até você e organiza aquilo que você chama de realidade. Ela opera com fidelidade absoluta desde a infância, e a habilidade acumulada não alcança essa camada porque ela existe antes dela.
Tudo no lugar. E alguma coisa não está.
Chega gente aqui que construiu exatamente o que se propôs a construir. O cargo, o patrimônio, o reconhecimento, o time que responde bem. E fica com a sensação de que falta uma coisa que não aparece no currículo e não se resolve com mais nada daquilo que já funcionou.
Chega também quem já não sustenta a fachada. O trabalho parou de fazer sentido, uns saem da empresa, outros ficam repetindo por anos uma vida que já não reconhecem como escolha.
Os dois estão no mesmo ponto, em temperaturas diferentes. A estrutura que sustentava a identidade começou a rachar, e a decisão que parece pronta na chegada quase nunca é a decisão. Ela costuma ser o padrão fechando a porta antes que a pessoa tenha olhado para dentro dela.
Você olha para o mesmo lugar há tanto tempo que parou de ver.
O Eneagrama entra como mapa. Localiza a fixação, o ponto onde sua atenção pousa sempre, o que ficou invisível de tanto você olhar para ele. Dali o trabalho fica direto: meditação, respiração, coerência cardíaca, investigação.
Você observa o padrão funcionando em tempo real, dentro do próprio ato, enquanto ele acontece.
Eles chegaram querendo outra coisa.
Ela veio pelo Eneagrama, querendo se entender antes de entender a equipe. No meio do processo perdeu o emprego, e chegou na sessão individual com a decisão já tomada: largar a área, tentar outra coisa. O que apareceu foi outro material.
Ele trouxe um insight de pensar se realmente valia a pena. Disse que talvez eu estivesse muito magoada com o que tinha acontecido, e que eu ainda gosto muito do que eu faço.
A decisão não era decisão. Semanas depois, ela descreveu o que passou a acontecer diante de uma vaga:
Bato o olho e falo: não gostei. Antes eu ia atrás porque o salário era bom. Agora falo: passo. E não fico sofrendo com aquilo.
Gestora · Programa em grupo, com sessão individual
Ele entrou no programa pensando na equipe. O que apareceu não tinha relação com o time.
Fiquei impressionado com o quanto eu me deixava levar. Eu estava muito no futuro, pensando: se acontecer isso, eu vou falar assim. Se não acontecer, falo de outra forma.
A mente ensaiando conversas que ainda não existiam, em tempo integral, sem que ele percebesse. Semanas depois, diante de uma decisão, o movimento era outro:
Foi um momento de entrevistar o entrevistador. Eu tenho que saber também se eu quero ir para aquele lugar.
Líder de equipe · Programa em grupo, com sessão individual
Consultor há vinte anos, agenda cheia. Chegou perguntando como produzir mais dentro das mesmas oito horas. No fim, quando perguntaram o que tinha acontecido de inesperado, respondeu sem pensar.
Eu estou conseguindo meditar. É uma surpresa. Eu já tinha tentado várias formas antes. Depois das conversas eu entendi a forma que ela precisava ser encaixada na minha vida.
Ele não veio buscar isso.
Consultor de empresas · Programa em grupo, com sessão individual
Ela chegou sem problema nenhum. Foi convidada pela empresa, e já tinha feito de tudo: mindfulness, terapias, retiros, anos de autoconhecimento acumulado. Não veio buscar nada, e mesmo assim viu.
O automatismo da vida acaba levando a gente a deixar de internalizar algumas coisas, mesmo sabendo delas.
Sobre a sessão individual, ela deu nome ao que a maioria evita:
O Eneagrama traz o que você tem de força e o que você tem para evoluir. O lado luz e o lado sombra. Ninguém quer olhar para a sombra.
Diretora de comunicação · Programa em grupo, com sessão individual
Alguns vão fechar a página nesta parte.
É para quem
- construiu o que se propôs a construir e continua com a sensação de que falta uma coisa
- tem um trabalho que funciona por fora e parou de responder por dentro
- já leu, já meditou, já entendeu a não-dualidade no conceito e continua tropeçando na segunda-feira de manhã
- reconhece o padrão sempre depois que ele operou, e quer chegar antes
Não é para quem
- quer que eu faça o trabalho por ele
- procura técnica, ferramenta ou resultado rápido
- quer que eu valide uma decisão que já está tomada
- está em sofrimento psíquico agudo. Isso pede um profissional de saúde mental, e eu digo isso na primeira conversa quando é o caso
Cinco semanas. Uma pessoa por vez.
Qual deles serve, ou se serve algum, é o que a conversa resolve.
Vamos conversar trinta minutos.
Sem custo. Você sai dela sabendo se faz sentido.
Cheguei sem saber muito o que falar. Daqui a pouco eu falei uma frase, e ele conseguiu pinçar uma informação. A partir dali eu olhei para um ponto que, se eu trabalhar, resolve várias questões.
Consultora e facilitadora · Sobre a primeira sessão
O padrão perde força no instante em que alguém olha junto com você enquanto ele opera.