Ponto Cego.
A escrita e a fotografia revelando o padrão que opera antes da obra existir.
Quem cria há tempo conhece o momento em que o trabalho começa a se repetir sem que se perceba como. As escolhas que pareciam abertas se fecham, a frase que vem é sempre a mesma frase, o enquadramento sempre o mesmo. O padrão opera antes da obra, e a obra acaba traduzindo o padrão.
O Ponto Cego é um trabalho de cinco semanas que usa a escrita e a fotografia para revelar esse padrão. O material produzido aqui é ponto de partida para a auto-observação, não objeto a ser avaliado pela qualidade da obra. O que aparece na página ou na imagem mostra o filtro que existia antes delas existirem.
É um espaço para escritores, fotógrafos e criadores com prática consolidada que perderam contato com o essencial no próprio trabalho. Também para pessoas que nunca criaram profissionalmente e carregam uma curiosidade sobre si mesmas que os métodos habituais de autoconhecimento não alcançaram. O percurso pode ser individual ou em grupo pequeno de até oito pessoas, sem que o trabalho perca o caráter feito à mão.
O Eneagrama entra aqui também, como diagnóstico preciso do filtro que enquadra antes da obra existir. A partir dele, a experiência direta do estado de flow, onde esse filtro relaxa e o que vem para a página vem com a singularidade real intacta.
Duas disciplinas. O mesmo ponto cego.
Escrita
Exercícios curtos, em ritmo de oficina, que abrem a possibilidade de ver de que jeito a frase chega antes de ela chegar. Funciona como observação direta do padrão que enquadra o que pode ser dito.
Fotografia
Saídas e propostas visuais simples que tornam visível o filtro que decide o que merece ser fotografado antes da câmera chegar ao olho. A câmera vira instrumento de auto-observação.
« O material é ponto de partida para ver o que existe antes dele. »