Paralaxe.
O padrão decide antes de quem decide.
Paralaxe é o deslocamento aparente de um objeto quando o observador muda de posição. O objeto continua exatamente onde sempre esteve, e a mudança inteira acontece no lugar de onde se olha.
Trabalho há vinte e cinco anos com gente que decide sob pressão, e o que aparece com mais frequência é uma pessoa que já sabe o nome do que a trava. Já fez o coaching, já leu o próprio 360, já descreve o padrão com precisão para quem quiser ouvir. E na próxima decisão difícil a resposta sai no lugar de sempre, antes de qualquer intenção consciente ter chance de operar.
O automatismo se desfaz no instante em que você vê o padrão entrando em cena, ao vivo, com a resposta ainda se formando. Ver isso exige tempo contínuo e alguém olhando junto, e é para isso que o Paralaxe existe.
São três dias e duas noites com até dez pessoas, num lugar afastado, sem outros hóspedes e sem programação paralela. Componho a sala um a um, e ninguém entra sem passar antes pelo mapeamento. Vêm de empresas diferentes e não se reencontram na segunda-feira, e isso muda o que cada um consegue dizer em voz alta.
O trabalho pega a vida inteira de quem chega. A separação entre quem a pessoa é em casa e quem ela é na sala de reunião nunca existiu fora do organograma, e quarenta e oito horas fora do contexto habitual deixam isso evidente.
paralaxe · três dias, duas noites · 6 a 8 de maio de 2027
A evidência vem antes da interpretação.
O primeiro dia começa com a caminhada, câmera na mão, no fim da tarde, sem instrução técnica, com uma restrição única: fotografar o que você passaria batido. Depois, escrita à mão, que ninguém além de você lê e que não recebe comentário. E à noite o grupo passa uma hora olhando o céu com Walmir Thomazi Cardoso, tempo suficiente para qualquer um rever o tamanho do que trouxe de casa.
No segundo dia, respiração e coerência cardíaca abrem a manhã, cada um relê o próprio material da véspera, e o Eneagrama entra depois da evidência já estar na mesa. À tarde, entrevistas conduzidas diante do grupo, no formato de painel da tradição narrativa, com uma regra que vale os três dias inteiros: ninguém dá conselho a ninguém. Ser entrevistado sobre a própria experiência interna, diante de nove pessoas que decidem sob a mesma pressão, sem poder resolver nada, é uma posição que esse grupo não ocupa há décadas.
A investigação do terceiro dia é direta, com perguntas curtas e pausas longas. Depois vem o retorno, com uma única mudança verificável em noventa dias, escrita à mão e dita em voz alta para o grupo. Uma só. O encerramento é em silêncio, e ninguém tira foto.
No retiro o tipo funciona como hipótese de trabalho, testada contra o que a pessoa produziu na véspera. O instinto dominante é onde o valor aparece, porque é ele que explica dois executivos do mesmo tipo operando de forma oposta no mesmo trimestre, um blindando caixa e o outro apostando a reserva.
Trabalho nessa tradição narrativa, criada por Helen Palmer e David Daniels e formalizada no Enneagram Professional Training Program em 1988, com apoio do SEDI, o Stanford Enneagram Discovery Inventory, no autodiscernimento. Sou professor certificado pelo EPTP e membro fundador do capítulo brasileiro da International Enneagram Association.
O mapeamento individual está sempre incluído: duas sessões antes do retiro, ou uma só de retomada se já trabalhamos juntos. É onde o tipo é identificado e onde eu componho o grupo, para que os três centros estejam representados na sala.
O método inteiro e o manual dos nove tipos, com estruturas, história e aplicação, estão no site.
Não tem dinâmica de grupo, flip chart nem certificado. Ninguém apresenta caso da própria empresa e ninguém recebe framework de liderança ou plano de ação de sete itens. O que a pessoa leva embora é o material que produziu ali e uma mudança que ela mesma formulou.
A decisão de vir é sua e passa só por você. Turma fechada de uma empresa descaracteriza o trabalho, porque a sala depende de pessoas livres de hierarquia umas com as outras. Não mando devolutiva para ninguém de fora, nem confirmo quem participou.
Uma edição por ano.
A observação fica com Walmir Thomazi Cardoso, doutor pela PUC-SP com tese sobre o céu dos Tukano, no Alto Rio Negro, onde a posição das constelações no ocaso marca o regime de chuvas e a subida dos peixes.
O mesmo céu, olhado de outro lugar, organiza outro mundo.
Sou Cadu Lemos. 25 anos de trabalho com liderança, incluindo mentoria individual e facilitação de grupos executivos, mais de 300 mentorias individuais com alta gerência e C-level, mais de 160 empresas atendidas, entre elas Google, Microsoft, Itaú, Bradesco, Unilever, Oracle, iFood e Accenture.
Sou mentor ativo na Top2You, plataforma que seleciona mentores C-Level e atende mais de 90 grandes corporações. Autor de Antes do Pensar, colunista da Fast Company Brasil sobre liderança além do ego e cultura organizacional, com passagem como professor nos MBAs da Fundação Dom Cabral e do IBMEC.
Antes disso, outras vidas. Locutor de rádio nos anos 80, executivo nos mercados financeiro e de comunicação, fundador da mObgraphia, primeiro festival de fotografia com celulares da América Latina.
A entrada é por indicação. Se você chegou até aqui por alguém, escreva para cadulemos@gmail.com. O programa também está em PDF.